terça-feira, 3 de junho de 2025

O Barulho da Vida

Há um ruído na vida — grotesco, cruel —

que nos empurra para lugares

onde a alma ainda não tem idade.

Talvez a maior frustração

não seja viver na mesma cidade desde o nascimento,

mas testemunhar tudo se transformar

enquanto você permanece intacto,

preso ao tempo como se ele não o enxergasse.


Dias desses, pensei:

quão triste deve ser

sempre saber qual será o próximo passo.

Não se surpreender com o que o mundo pode oferecer,

mas seguir, mecânico,

anotando tarefas em agendas

como quem risca a vida com marca-texto.


Sentir apenas o alívio

de ter cumprido uma lista,

e adormecer apenas para repetir —

no dia seguinte, a mesma dança 

no mesmo compasso.


Deve ser cruel demais

atravessar o dia

sem notar se o céu amanheceu nublado

ou se era um azul que merecia ser contemplado.


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